O papel de todos nós na prevenção do vício
Álvaro Jardim
Publicado no "JORNAL PSICOPEDAGOGIA", da ABPP -
Associação Brasileira de Psicopedagogia, Seção Goiás -
Julho/Agosto de 2002 - Ano VIII/Número 38.
A vida, hoje em dia, traz, como nunca antes, exigências para todas
as pessoas. Em quaisquer áreas da sociedade, ou mesmo fora dela, sobreviver
buscando se manter em equilíbrio não tem sido uma tarefa fácil. Os
desafios em todas as áreas da vida têm sido exaustivos e estressantes.
Cada pessoa desempenha inúmeros papéis, tendo que se responsabilizar
por cada um deles e assumir as conseqüências que deles decorrem. Aí
surgem as verdadeiras dificuldades que desafiam a capacidade de gerenciamento
de cada pessoa, ao assumir estes papéis sem, às vezes, ter consciência
se deles são capazes, ao desempenhar o que lhe é solicitado, a partir
destas responsabilidades assumidas. Mas esta também tem sido uma forma
de aprendizagem. Aprendemos muito mais com as dificuldades e os desacertos
do que com o que realizamos impecavelmente. Quando isto ocorre temos
que utilizar, geralmente, a nossa criatividade e capacidade de lidar
com a crise decorrente que traz no seu bojo duas vertentes: o agravamento
da crise ou uma recondução do caminho que leva à dissolução dessa
crise.
Queremos aqui enfocar, principalmente, a prevenção ao vício, em geral,
e justamente por isso iniciamos falando dos papéis de cada pessoa
e da responsabilidade em assumi-los, no lar, na escola, no lazer,
enfocando, basicamente, a saúde das pessoas. A princípio, pretendemos
esclarecer que a saúde advém do princípio de harmonia do ser, fundamentada
no equilíbrio das leis naturais, que governam e fazem evoluir o próprio
ser. Estas leis naturais abrangem todos os níveis, isto é, o físico,
o emocional, o psíquico e o espiritual, pois o ser é integral e assim
o caracterizamos, apenas para esclarecer em que níveis este ser poderá
vir a ser mobilizado ou não, para seu equilíbrio. É uma arte manter
o ser em equilíbrio e demanda esforço em conhecimento, prática, aprendizagem
e ações coerentes.
Em nossa cultura, geralmente, estamos tão ocupados em vivenciar tantos
papéis pessoais e responsabilidades que não percebemos, muitas vezes,
a nossa incapacidade de nos darmos limite e ter consciência da nossa
limitação ou capacidade de gerenciamento destes papéis. Queremos tanta
coisa e lutamos incansavelmente para consegui-las que, às vezes, nos
esquecemos de nós mesmos e dos nossos outros objetivos, desviando-nos
do que nos propomos a alcançar, com propósitos anteriormente decididos
com critérios, fundamentados em valores reais. Assim é e, então, decidimos
fazer muitas coisas, nem sempre compatíveis, atrapalhando, de certa
forma, o andamento de outras que eram consideradas prioritárias, provocando,
em nós mesmos, conflito, estresse e insatisfações.
Antes de sermos pais, professores ou educadores somos seres humanos.
Além dos papéis que já desempenhamos, outros poderão surgir em nossas
vidas diárias e não podemos nos esquecer disto. Flutuamos entre papéis
e precisamos aprender a fazer esta flutuação com dignidade, assumindo
as responsabilidades que deles decorrem. Por isso precisamos ter cautela,
primando pelo conhecimento, pela vivência da prática, para haver aprendizagem
aplicada em ações que tragam frutos que nos ajudem a estar em equilíbrio,
para nossa sustentabilidade como ser na vida.
Sabemos que não é fácil flutuar através dos vários papéis,
principalmente quando surgem os conflitos, tumultuando as relações
através de diferentes interesses momentâneos, somados às fantasias
e aos medos advindos do conflito, entremeados de sentimentos opressores
que intensificam o processo deflagrado. São infinitas as possibilidades
do dia a dia.
Todos nós necessitamos de um espaço onde possamos ser nós mesmos,
para nos expressarmos, ter apoio de alguém, sendo respeitados de forma
integral e sem julgamento, para que possamos integrar as nossas vivências,
frente aos nossos conteúdos e desacertos internos. Mas este espaço
hoje em dia não existe, a não ser nos ambientes de psicoterapia e
em ambientes terapêuticos. Todas as pessoas sentem a necessidade desse
espaço, em todas as idades, e sem ele nos sentimos precisando de atenção
e acabamos tentando compensar tudo o que sentimos buscando o prazer
de várias formas. Projetamos estes desacertos internos no nosso meio
imediato, trazendo o caos e gerando conflitos, muitas vezes promovendo
crises maiores que se expandem e trazem um viver insustentável. As
ansiedades, os medos e as depressões, tão comuns hoje em dia, são
conseqüências e subprodutos deste mecanismo que está deflagrado na
sociedade de consumo e traz uma dependência na qual o vício se instala,
quase que naturalmente.
Vamos tentar exemplificar como este mecanismo faz parte da vida na
sociedade, de uma maneira geral. Duas pessoas resolvem viver juntas
e formar uma família. Tanto o homem como a mulher trabalham, geralmente,
para criarem a condição que, acreditam, venha possibilitar uma melhor
forma de vida para ambos e para os filhos que virão. O trabalho começa
a exigir do casal uma disponibilidade e um envolvimento frente à competitividade
no dia a dia que, cada vez, exige mais de ambos porque querem crescer
no trabalho para ganharem mais e terem uma melhor condição de vida
e propiciar a condição de ter filhos e educá-los bem. Mas eles hão
de querer, é lógico, se desenvolverem como pessoas, melhorando a própria
vida. Quem até hoje não enfrentou problemas, atritos, divergências,
exigências no seu trabalho, ou com pessoas com quem trabalham?
Todo casal tem suas famílias de origem, com problemas, dificuldades,
conflitos, não é verdade? Os componentes do casal podem ter dificuldades
de relacionamento ou de aceitação com um ou mais membros de sua família
de origem ou, ainda, com um ou mais membros da família de origem de
um dos parceiros. Eles têm as amizades que poderão ou não ser aceitas
por um deles, sendo motivo de alegria ou de estresse. Cada um tem
sua particular história de vida e, por mais abertos que sejam, sempre
existem situações de vida não compartilhadas com os outros ou nem
admitidas a si próprios. Existem crenças, mitos, mágoas particulares.
O casal após algum tempo resolve ficar "grávido" ou, muitas vezes,
se percebe "grávido". Lá vem mudança. Quando planejaram a vinda do
bebê pensaram estar no comando do que idealizaram. Mas a vida traz
situações esperadas ou não. Só saberemos o que ocorrerá quando fizerem
suas escolhas diante da vida e forem vivenciando-a. Se conseguíssemos
estar sempre no comando, fazendo só o que quiséssemos, seria tudo
muito fácil e sem desafios, sem aprendizagem. Aí é que está a beleza
da vida e da arte de viver. A teia da vida, as suas conexões visíveis
e invisíveis, a sincronicidade dos fatos, a lei da impermanência associada
aos papéis que cada um exerce ao viver, os valores que cada um leva
consigo, o processo do desenvolvimento de nossa espiritualidade são
alguns pontos que não podemos e não devemos nos esquecer em nossa
caminhada pessoal e em grupo.
Ouvi, certa vez, uma história muito interessante. O avô convidou o
neto, de sete anos, para irem até o pomar de sua fazenda. Orgulhoso
de seu pomar, o avô descascou uma laranja, tirou a tampa, provou-a
e disse ao garoto reclamando da fruta: "Que laranja azeda!" Aí o garotinho
retrucou, dizendo: "Uai vô, porque você plantou?" O avô ficou espantado
com a fala do neto, observando, refletindo e analisando a profundidade
da afirmação feita pela criança. Ele sempre refletia sobre a lição
dada pelo neto, de forma tão clara e irrefutável. Assim agimos na
vida, criando situações em que lutamos para conseguir algo que pode
nos trazer enormes dores de cabeça ou satisfações imensas.
Será que de alguma forma não nos distraímos no processo, não fazendo
o que seria necessário? Podemos observar uma fruta no pé esperando
o ponto ideal para colhê-la mas, se nos distrairmos, ela poderá passar
do ponto e não ter mais finalidade. Tudo tem sua hora e quando queremos
demais, poderemos estar perdendo bastante, também. Estando num lugar,
no aqui e agora, não podemos estar em outro, ao mesmo tempo. Neste
exato momento, nossa presença frente a algo já é uma escolha, consciente
ou não, aceitando-a ou indo contra a nossa vontade. Não importa. Abandonamos
outras coisas ou pessoas e estamos frente a esse algo. Tudo na vida
é uma questão de escolha e como nos colocamos frente a esta escolha.
A questão não é o porquê, é o como. Às vezes somos incapazes de ter
esta consciência. De bem intencionados o inferno está cheio.
Quando o casal já tem um bebê, novo ser em desenvolvimento, fazem-se
necessários suportes: material, emocional, psíquico e espiritual.
Há a necessidade de uma imensa adaptação ao modo de vida do casal,
que vai afetá-lo, também, em todos os níveis. São tantas mudanças,
que o casal fica tonto e, na melhor das intenções, luta como pode
frente às novas circunstâncias impostas pela escolha idealizada e
tornada realidade. Agora são três no núcleo familiar, com todo um
potencial, mas com toda uma exigência para que este potencial desabroche
e cumpra a sua função. A estrutura global é mexida e precisa ser reestruturada.
A nova situação atinge o trabalho, os relacionamentos, o lazer, as
finanças, o lar, enfim, atinge a vida de todos. Estar preparados para
tudo seria necessário, mas nem sempre isto ocorre. Quando a família
vai, aos trancos e barrancos, tentando se adaptar é muito comum ter
um novo bebê. Novas exigências se fazem presentes e mudanças ocorrem.
Nova ordem se faz necessária em uma nova estrutura, imposta pela nova
escolha, trazendo mudanças sempre crescentes e exigências cada vez
maiores e mais abrangentes em todos os sentidos e níveis.
Os filhos irão crescer no meio do núcleo familiar que, procurando
acertar, tenta criar um ambiente satisfatório para o convívio e a
adaptabilidade necessários para que se cumpra a sua real função que
é compreender, respeitar, apoiar e dar sustentabilidade para o desenvolvimento
pleno desses seres. Os pais continuam trabalhando envolvidos nesse
processo, que demanda tempo, esforço em vários níveis, trazendo conseqüências
positivas e negativas para o convívio familiar. Além do trabalho,
existem os outros papéis que estas pessoas cumprem perante si, perante
a família, perante a sociedade e o mundo em que vivem. Os filhos estão
num processo de crescimento, transformação e adaptação, em todos os
níveis, inclusive de seus papéis na vida, buscando uma identidade
própria. No fluir de tudo, na família, através do conviver, do estar
só, de cada um vivenciar o seu mundo interno e externo e ser capaz
de enfrentar o que deles emerge está a prova de fogo pela qual cada
um de nós passa. A jornada é heróica e muito há que se viver.
A vida caminha a partir do agora, podendo estar presa em algo do passado,
introjetado na pessoa. Cada um passa por etapas no seu desenvolvimento,
com suas necessidades planejadas e sonhadas. Existem as realizações,
mas há muitas frustrações. Quando as frustrações não são trabalhadas
e integradas emocionalmente, isto é, não são expressas e assumidas,
acabam trazendo, como conseqüência, projeções dela para o meio onde
essa pessoa vive, produzindo situações positivas ou negativas tais
como ódios, rancores, maledicência, fofocas, guerras e muito mais.
Para nos preservarmos e nos mantermos em algum grau de sanidade, construímos
defesas comportamentais contra as ameaças vindas de fora, como resposta
ao medo, à vergonha, à raiva, à dor e à tristeza. Podemos reprimir,
negar ou minimizar uma situação que vivenciamos ou transformar a sua
opressão em soberba e crítica. Podemos expressar externamente nossas
emoções uns contra os outros ou contra outros grupos ou, ainda, nos
voltarmos contra nós mesmos. Podemos também esconder ou expressar
nossos sentimentos através do humor. Tais estratégias de sobrevivência
podem ser muito úteis mas elas podem, de algum modo, bloquear nosso
trajeto para virmos a ser indivíduos saudáveis. Podemos acabar construindo
uma máscara social que nos ajude a sobreviver, protegendo-nos e dando
características a uma personalidade que nos afasta na nossa verdadeira
essência, que é divina.
A cultura ocidental incentiva a busca da satisfação e felicidade através
do direcionamento das nossas energias para o mundo lá fora, através
das diversões, do consumo, das atrações, provocados pela propaganda,
pelas expectativas sociais, intelectuais, valores aceitos e competitividade.
As pessoas acreditam que sendo ricas ou tendo sucesso terão tudo.
Baseados nesta cultura, as pessoas se afastam do seu foco interno
que é a base do processo de re-conexão com a consciência maior. Para
buscarmos a realização interior, precisamos atingir todos os níveis
do ser e isto não pode advir apenas de fontes exteriores.
A conexão entre o corpo, a história e a condição emocional do indivíduo
vem surpreendendo os profissionais que utilizam métodos de auto-exploração
como parte do trabalho terapêutico com seus pacientes. As necessidades
físicas e emocionais precisam ser atendidas para serem trabalhados
os traumas físicos e psíquicos para depois serem trabalhados, em outros
níveis de consciência. A rotina diária de uma família, geralmente,
não tem proporcionado, de maneira satisfatória, as condições necessárias
e fundamentais para o seu desenvolvimento pleno. Os traumas físicos
e psíquicos, em sua maioria, não têm recebido a atenção e o cuidado
que lhes deveria ser proporcionado. Isso seria apenas um primeiro
estágio de nosso processo rumo à realização da nossa verdadeira natureza.
"À medida que nos distanciamos do interno perdemos o contato
com nossa essência, mas não há fator que traga mais sensação de isolamento,
aprofundando e cristalizando esta sensação, do que o abuso. O abuso
é a invasão da nossa integridade física, sexual, emocional, intelectual
ou espiritual. É a violação da nossa identidade sagrada como indivíduos,
uma intrusão ativa através dos limites que nos definem como únicos.
Os limites saudáveis constituem a fronteira entre nós e o resto do
mundo. Eles definem nossa identidade, as características que nos pertencem
por direito. Meus limites declaram que eu sou distinto das outras
pessoas e das influências do meu meio. Os limites são essenciais enquanto
percebo e interajo com o ambiente". (Christina Grof, 1993).
O papel dos adultos é, em parte, guiar e apoiar uma criança na descoberta
dos seus próprios talentos e das suas próprias paixões, e o de não
impor as suas expectativas, as suas inseguranças e os seus desejos
ocultos a uma criança dependente e impressionável. O abuso tem passado
de geração a geração e percorrido a maioria das histórias das famílias,
sendo bastante comum em nossa atual sociedade.
"Desde tenra
idade, lançamo-nos em valentes esforços para, de algum modo, achar
satisfação nas várias atividades, relacionamentos e substâncias internas
e externas. No entanto, essa bem intencionada, embora mal dirigida
busca é no fundo inútil: ela pode levar ao vício, a um tremendo sofrimento
e, em muitos casos, à autodestruição.
Um número significativo de pessoas que estão se recuperando de dependência
química disseram-me que descobriram uma ligação entre o uso de anestesia
geral no nascimento e o desenvolvimento dos seus vícios posteriores.
Afirmam, que embora esse não seja o único fator responsável por usarem
substâncias químicas, parece ser o principal.
Com intensidade cada vez maior, estendemo-nos além das nossas limitadas
capacidades para conseguir felicidade e contentamento. Se as abordarmos
com moderação, muitas das coisas que buscamos terão o potencial de
ser apreciáveis, vitalizadoras, até mesmo saudáveis. No entanto, muitas
vezes impomos urgência e obsessão às nossas metas. A nossa intensidade
e compulsão trazem consigo as sementes do vício e, quando agimos de
acordo com elas, encontramos dor e frustração crescentes". (Christina
Grof, 1993).
Os fatores acima citados, somados aos conflitos e às situações mal
resolvidas do dia a dia, vão se aglutinando e estruturam uma história
original e própria de cada indivíduo em vários estágios de desenvolvimento,
como exemplificamos mais acima, na história da família. Situações
assim levam-nos a sentir um senso ampliado de separação da nossa identidade
maior, que é divina, fazendo-nos isolar de nós mesmos, de nossos pais,
de outras pessoas e do mundo como um todo. Nós nos sentimos alienados
dos elementos que poderiam ser fontes de nutrição e apoio.
O caminho do vício, através da droga, passa, inicialmente, como uma
busca de saída momentânea de uma situação insustentável. Trazem a
ilusão, com sucesso, de que, através do seu auxílio, atingiremos uma
consciência maior, uma identidade mais ampla, com sentido de unidade,
poder e paz interior. Por melhor que seja essa vivência, tudo isso
se dilui e acabamos tendo uma necessidade enorme de retomar o caminho
em busca de mais prazer, querendo cada vez mais. Daí para frente,
temos visto tantas histórias com a mesma temática, infelizmente tão
comuns hoje em dia, inclusive em filmes e novelas.
No meu ponto de vista, de grande utilidade e mesmo imprescindível
seria criarmos um ambiente especializado, com pessoas especializadas,
para receber indivíduos que momentaneamente necessitam de apoio. O
indivíduo poderia ser ele mesmo, sendo ouvido sem julgamento, apoiado
em seu processo, compreendido, respeitado e auxiliado a integrar o
conteúdo emergente. Teria orientação para encaminhamento na área da
necessidade requerida, após observação e apoio. Este sistema de prevenção
estaria disponível nas instituições em geral, principalmente, em escolas,
empresas, creches, atendendo a todos que ali freqüentassem. Trabalhar
o desenvolvimento espiritual, o método dos doze passos dos AA e os
dele decorrentes, fazer terapia, passar por vivências terapêuticas
integrativas de auto-exploração seriam outros modos de prevenção e
trabalho com o vício.
O papel da família, da escola e de todos, frente a esta situação,
envolve tudo e todos. A prioridade é desenvolver o nosso trabalho
pessoal conosco mesmos. O trabalho é de dentro para fora, buscando
a experiência divina de ser humano, despertando para a totalidade.
Precisamos nos acordar para o aqui e o agora, enfrentando o que nos
afasta de sermos o que somos.
Referências Bibliográficas
Grof, S., e Grof, C. (Orgs.). Emergência Espiritual: Crise
e Transformação Espiritual. São Paulo: Cultrix,
1992.
Grof, C. e Grof, S.. A Tempestuosa Busca do Ser. São
Paulo: Cultrix, 1991.
Grof, C.. Sede de Plenitude: Apego, Vício e o Caminho Espiritual.
Rio de Janeiro: Rocco, 1996.
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